A Falsa Piedade (Mateus 23:27-28)


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A Bíblia Sagrada dedica passagens para alertar sobre o perigo da aparência de religiosidade desprovida de essência. 

Esse fenômeno é frequentemente descrito como uma forma de piedade que tenta manter a forma externa, mas nega o poder transformador do Evangelho no íntimo do coração.

Para o texto bíblico, a falsa piedade é uma distorção grave da espiritualidade que corrompe o testemunho da fé e afasta as pessoas da verdade divina.

Jesus Cristo confrontou severamente aqueles que utilizavam a prática religiosa para esconder um interior corrompido, como registrado em Mateus 23, versículos 27 e 28:

Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia. Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniquidade.


Quando o Nome de Deus se Torna Escudo para o Mal


É necessário realçar que a falta de empatia e a simulação de virtudes são comportamentos esperados do ímpio, pois ele age conforme sua natureza não regenerada e seus interesses carnais.

No entanto, quando alguém que se diz convertido cultiva o rancor, a inveja e a cobiça sob o manto da santidade, a situação atinge uma gravidade infinitamente superior. 

Isso ocorre porque essa pessoa afirma ter tido um encontro com a Verdade e ter sido regenerada pelo Espírito Santo. Ao agir com falsa piedade, ela não apenas replica a conduta do ímpio, mas profana o sagrado ao usar a linguagem do Reino para camuflar sentimentos nocivos.

Ao fingir solidariedade enquanto nutre o mal internamente, o indivíduo comete o pecado da dissimulação espiritual, transformando a graça em um teatro e usando o nome de Deus como um escudo para seus conflitos interiores.

O falso piedoso é um corpo estranho dentro da igreja, ele profana o sagrado, criando um obstáculo para os que buscam a Deus e agindo com uma insensibilidade disfarçada, pois utiliza a linguagem do amor para iludir ou ferir o próximo.


O Chamado à Empatia Real e ao Coração Regenerado


Em contraposição a essa encenação, o verdadeiro comportamento cristão deve ser fundamentado na integridade e na transparência absoluta entre o que se sente e o que se demonstra. 

A autenticidade cristã exige que a caridade não seja apenas um gesto externo, mas o resultado de um coração que foi limpo de toda amargura.

O cristão é chamado a uma empatia real, que sofre com os que sofrem e se alegra sinceramente com o sucesso alheio, eliminando a dualidade entre o discurso religioso e a realidade do pensamento. 

A vida de fé deve ser pautada pela coerência, onde a piedade não é um acessório para conveniências temporais, mas uma entrega silenciosa e honesta diante de Deus, que vê o que está oculto e valoriza a sinceridade acima de qualquer rito.