As Escrituras Sagradas convergem em um alerta fundamental sobre a natureza das relações: existe um perigo latente naqueles que, em uma estratégia perniciosa e cada vez mais comum no mundo (Mateus 24:12), se tornam guardiões dos erros passados do próximo, agindo como fiscais desonestos da memória alheia para objetivos diversos, inclusive os mais graves.
O ato de reviver e distorcer constantemente o passado e o presente do outro é uma tentativa perversa de imobilização existencial.
Tal prática consiste na evocação e potencialização de falhas superadas e na inserção de mentiras, tudo isso meticulosamente embalado em ataques sutis para a deturpação da realidade. Há um detalhe importante: enquanto o manipulador reserva essa sutileza para desestabilizar a vítima, mostra-se muito mais direto e incisivo na fofoca manipuladora.
Afronta ao Calvário
Esse posicionamento revela uma resistência grave ao sacrifício de Cristo. Ao atuar deliberadamente para tentar obstruir a caminhada do outro, tal manipulador coloca-se em oposição ao agir de Deus, tentando paralisar quem o Criador já impulsionou a prosseguir. É um desprezo pela jurisdição divina.
1 João 1:8, "Se dissermos que não temos pecados, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós...".
A seriedade perante Deus dessa conduta torna-se ainda mais evidente quando observamos a assimetria moral e a fraude intelectual que a acompanham.
É comum que o mesmo indivíduo que mantém um inventário detalhado, porém distorcido e desonesto das falhas alheias, tenha desenvolvido uma capacidade extraordinária de lançar o próprio passado em um limbo de esquecimento absoluto.
Engenharia da Culpa e Vergonha
Trata-se de uma amnésia conveniente, na qual o manipulador apaga as próprias manchas enquanto utiliza acusações editadas contra outros como ferramenta para uso dissimulado.
Esse comportamento é o ápice da hipocrisia apontada por Jesus no Sermão da Montanha (Mateus 7:3-5), no qual a percepção aguda e maldosa do argueiro no olho do outro serve como distração para a viga que obstrui a própria visão.
Essa prática de distorcer a história para manter o outro sob julgamento é associada à figura do 'adversário', cujo título original de acusador define perfeitamente a missão de paralisar o próximo através da mentira.
O gaslighting é justamente isso: a tentativa de criar um ambiente de culpa e vergonha para paralisar a vítima. Por meio de mentiras e manipulações mentais, o manipulador utiliza seus próprios medos e projeções pessoais para subjugar as reações da vítima.
Mas, indiferente às vozes das distorções e às acusações hipócritas e maliciosas que negam a verdade dos fatos, o cristão deve manter o foco no crescimento e amadurecimento contínuo de sua fé, no alvo, que é Jesus Cristo.
