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| Crédito Imagem: CC0 |
A tendência de se deixar manipular para aceitar ou fazer coro contra o próximo tornou-se um comportamento alarmantemente comum em nossa sociedade, alcançando um estado de normalização.
Falo aqui de quem adere à maldade contra o outro, e não de quem é apenas enganado e se torna vítima do engano.Vivemos tempos onde a aceitação da manipulação virou um hábito cotidiano, e muitos participam desse processo sob o manto de uma falsa inocência.
Manipulados por motivações diversas, sim, mas sem o álibi da ingenuidade. Há tanto os que se entregam ativamente ao papel de replicadores da maldade quanto aqueles que assumem a postura de espectadores inertes, validando a injustiça com sua concordância silenciosa. Quem ouve uma maledicência e se une a conluios alheios não pode se dizer enganado: escolheu tomar parte.
O Evangelho nos ensina que a recepção do erro e a adesão ao ataque são escolhas morais fundamentadas na falha de um caráter que se deixa corromper pelo orgulho ou pela conveniência.
Essa dinâmica de conivência manifestou-se de forma cruel durante o ministério do Messias: enquanto muitos testemunharam Seus milagres, uma multidão reunida diante de Pilatos foi persuadida pelos principais sacerdotes e anciãos a clamar por Sua crucificação (Mateus 27:20). A lição não é sobre um povo, mas sobre o coração humano: qualquer um de nós, em qualquer época, pode ser levado a fazer coro com a injustiça.
Da mesma forma, os guardas que presenciaram o fenômeno glorioso do sepulcro vazio aceitaram ser manipulados pelos principais sacerdotes e anciãos por causa de dinheiro (Mateus 28:11-15).
À luz do Evangelho, a omissão e a adesão ao erro são escolhas morais fundamentadas na inclinação do coração. Aquele que se junta com outros para condenar ou difamar alguém, na verdade, costuma revelar uma disposição prévia interna.
Ademais, o orgulho humano costuma sentir um prazer silencioso em ver a queda alheia ou em se sentir superior, e esse sentimento pode servir de combustível para que alguém aceite narrativas distorcidas. A Escritura adverte contra esse impulso: "Não te alegres quando cair o teu inimigo, e não se regozije o teu coração quando ele tropeçar" (Provérbios 24:17).
A Bíblia é clara ao estabelecer que cada um dará contas de si mesmo (Romanos 14:12), não havendo espaço para transferir a culpa da própria maldade para o influenciador da vez.
Em Êxodo 23:2, encontramos uma advertência que ecoa com precisão em nossos dias: 'Não sigas a multidão para fazeres o mal'. A instrução divina é categórica ao proibir que o indivíduo se incline à maioria para perverter o direito ou validar uma injustiça.
A perversidade não está apenas em quem cria a maledicência, mas também em quem a sustenta para se sentir superior ou integrado a um grupo.
O Evangelho não nos autoriza a ser negligentes a ponto de ferir o próximo. A prudência é um dever cristão.
O dia em que a verdade vem à luz:
O caminho não é o vitimismo. O verdadeiro arrependimento exige encarar a própria malícia sem as lentes do vitimismo, assumir o erro perante Deus e não jogar a culpa no manipulador.
Adão tentou transferir a responsabilidade quando foi confrontado (Gênesis 3:12), mas o coração contrito é o de Davi: “Contra ti, contra ti somente pequei” (Salmo 51:4). Quem encobre as próprias transgressões não prospera, mas quem as confessa e deixa alcança misericórdia (Provérbios 28:13).
