O Manipulador e a Escolha do Manipulado (Êxodo 23:2)

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A tendência de se deixar manipular para aceitar ou fazer coro contra o próximo tornou-se um comportamento alarmantemente comum em nossa sociedade, alcançando um estado de normalização.

Vivemos tempos onde a aceitação da manipulação virou um hábito cotidiano, e muitos participam desse processo sob o manto de uma falsa inocência.

Manipulados por motivações diversas, sim, mas sem o álibi da ingenuidade. Há tanto os que se entregam ativamente ao papel de replicadores da maldade quanto aqueles que assumem a postura de espectadores inertes, validando a injustiça com sua concordância silenciosa.

O Evangelho nos ensina que a recepção do erro e a adesão ao ataque são escolhas morais fundamentadas na falha de um caráter que se deixa corromper pelo orgulho ou pela conveniência.

Essa dinâmica de conivência manifestou-se de forma cruel durante o ministério do Messias: enquanto muitos em Jerusalém testemunharam Seus milagres, uma multidão foi persuadida pelos principais sacerdotes e anciãos a clamar por Sua crucificação dias depois (Mateus 27:20)

Da mesma forma, os guardas que presenciaram o fenômeno glorioso do sepulcro vazio aceitaram ser manipulados pelos principais sacerdotes e anciões por causa de dinheiro (Mateus 28:11-15).

Sob a ótica do Evangelho, a omissão e a adesão ao erro são escolhas morais fundamentadas na inclinação do coração. Aquele que se junta com outros para condenar ou difamar alguém, na verdade, mascara uma disposição prévia interna.

Ademais, o orgulho humano sente um prazer silencioso em ver a queda alheia ou em se sentir superior; esse sentimento serve de combustível para que o indivíduo aceite narrativas distorcidas.


A Responsabilidade Pessoal Diante das Escrituras

A Bíblia é clara ao estabelecer que cada um dará contas de si mesmo, não havendo espaço para transferir a culpa da própria maldade para o influenciador da vez. 

Em Êxodo 23:2, encontramos uma advertência que ecoa com precisão em nossos dias: 'Não sigas a multidão para fazeres o mal'. A instrução divina é categórica ao proibir que o indivíduo se incline à maioria para perverter o direito ou validar uma injustiça.

Fazer coro contra os outros, ainda que sob o pretexto de estar apenas seguindo uma corrente, é uma ação que gera responsabilidade direta.

A perversidade não está apenas em quem cria a maledicência, mas também em quem a sustenta para se sentir superior ou integrado a um grupo. O verdadeiro arrependimento exige encarar a própria malícia sem as lentes do vitimismo. 

O Evangelho não nos autoriza a ser negligentes a ponto de ferir o próximo (inclusive pelas costas). A prudência é um dever cristão.