Ao analisarmos as palavras de Jesus sobre a propagação do Evangelho como um sinal que precede o fim, é fundamental exercitarmos a sabedoria para compreender como os termos originais se aplicam à nossa realidade contemporânea.
Levando em consideração o vocabulário utilizado no registro de Mateus, é perfeitamente possível argumentar que essa profecia já se encontra cumprida em nossa era.
A expressão grega utilizada por Jesus para designar as nações é ethne (ἔθνη), que no contexto do século primeiro era o termo mais habitual e preciso para se referir a grupos humanos organizados por sua cultura, língua e identidade comum. A palavra ethne é o plural de ethnos (ἔθνος), termo que deu origem à palavra moderna etnia.
A palavra ethne (ἔθνη) é o plural de ethnos (ἔθνος), termo que deu origem à palavra moderna etnia. Para um judeu daquela época, essa era a forma padrão de se referir a todos os povos que não eram Israel.
É importante notar que a Bíblia foi escrita utilizando os termos e conceitos do contexto da época para que os ouvintes originais pudessem compreender a mensagem de forma plena.
No mundo antigo, não existia a concepção moderna de Estados-nações com fronteiras políticas rígidas e governos centrais institucionalizados como temos hoje, mas sim a percepção de diferentes povos que compunham o cenário mundial por meio de seus costumes e ancestralidade.
Para Jesus e Seus discípulos, dizer que o Evangelho alcançaria todas as ethne (ἔθνη) significava que a mensagem romperia a barreira de Israel para testemunhar a todos os agrupamentos humanos e coletividades existentes na terra.
Dessa forma, ao observarmos o cenário global atual, percebemos que a mensagem cristã de fato penetrou em todas as nações da Terra.
Mesmo em países com regimes extremamente fechados, como a Coreia do Norte, o testemunho cristão está presente, seja através de meios tecnológicos, literaturas que atravessam fronteiras por métodos criativos ou pela resistência de comunidades locais.
Embora exista a observação técnica de que ainda restam dialetos e grupos étnicos muito específicos que não possuem a Bíblia em seu idioma materno, isso não fere o ponto principal de que o Evangelho se tornou um fenômeno universal e está devidamente estabelecido em cada nação do globo.
Dentro dessa perspectiva histórica de expansão, surge também a interpretação sobre o papel das duas testemunhas mencionadas no livro de Apocalipse.
Ainda que a profecia de Jesus sobre o alcance das nações possa ser vista como um processo que atingiu sua maturidade na era da globalização e da comunicação digital, alguns estudiosos pontuam que essas figuras proféticas representariam um reforço final e sobrenatural desse testemunho em um momento de crise extrema.No entanto, essa é uma pontuação adicional que não se mistura com o fato central: sob o ponto de vista da presença e do conhecimento da mensagem em todas as nações modernas, a condição estabelecida por Jesus no Evangelho de Mateus já pode ser considerada plenamente atendida.
Dificuldades de Evangelização na Coréia do Norte (Bíblias chegando por balões).



