Ao analisarmos o panorama global, costumamos classificar os países como seguros ou violentos baseando-nos na violência visível. De um lado, observa-se o modelo de violência exteriorizada, exemplificado pelo Brasil, e de outro, o modelo de violência internalizada, característico do Leste Asiático em nações como o Japão, Coreia do Sul e China. Embora a percepção pública seja de que o Oriente é pacífico, um olhar clínico sobre as estatísticas revela que a letalidade social apenas se manifesta de forma distinta.
Em anos recentes, o Brasil apresentou taxas de homicídio que oscilavam em torno de 21 mortes por 100 mil habitantes, um índice no qual a agressividade é projetada para fora, contra o próximo, manifestando-se no desrespeito à vida alheia. Em um espelho estatístico trágico, países como a China, Coreia do Sul e o Japão apresentam taxas de suicídio que figuram entre as mais altas do mundo, com a Coreia frequentemente registrando números que atingem o patamar de 25 a 30 mortes por 100 mil habitantes. A conclusão é matemática e sombria: enquanto no Brasil morrem cerca de 21 pessoas por 100 mil habitantes, por ação de terceiros, no Leste Asiático morre uma proporção próxima de pessoas vítimas de si mesmas.
A Plenitude de Cristo contra as Patologias das Nações
Quando essa estrutura de três pilares — Deus, o próximo e o eu — é quebrada, as nações adoecem em direções opostas. No Brasil, o choque com a mensagem cristã ocorre na falta de amor ao próximo, na qual a liberdade degenera em egoísmo e o "eu" atropela a vida alheia. Já no modelo asiático, o choque ocorre pela negligência de que o valor humano reside em ser criado à imagem de Deus, e não no cumprimento de expectativas sociais. Ao ignorar a paz interna que provém da reconciliação com o Pai, o indivíduo torna-se escravo de um sistema de honra e desempenho. Sem a segurança da identidade em Cristo, o fracasso é visto como uma desonra absoluta, e a falta de uma esperança eterna faz com que a violência, antes contida pela disciplina social, imploda contra o próprio ser na forma de autoextermínio.
Um mundo que seguisse genuinamente a mensagem de Cristo seria uma síntese libertadora para ambos os extremos. No Leste Asiático, o efeito da Graça substituiria a cultura da vergonha, ensinando ao indivíduo que ele é amado independentemente de sua produtividade ou sucesso, o que esvaziaria o desespero interno. No Brasil, o amor sacrificial transformaria a segurança pública de dentro para fora, pois a consciência da sacralidade da vida impediria a mão do criminoso antes mesmo da chegada da lei. O Evangelho é, assim, a mensagem da pacificação do ímpeto das multidões nas ruas e da restauração da dignidade daqueles que sofrem no isolamento de suas próprias consciências.
