Quem quiser Salvar a Vida a Perderá (Marcos 8:34-36)

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Vivemos num mundo que idealiza o "viver do seu jeito" e a busca pelos próprios rituais de felicidade como se fossem a meta final da existência. Jesus, ao desafiar esse mantra da humanidade, não está apenas dando um conselho moral, mas revelando uma lei espiritual sobre a nossa própria limitação. Quando tentamos salvar a vida através das nossas diretrizes e desejos pessoais, acabamos por nos tornar prisioneiros de um horizonte pequeno e frágil. O contraste é que, ao nos esforçarmos tanto para dar valor à vida sob os nossos próprios termos, frequentemente a esvaziamos de sua verdadeira profundidade, pois o ser humano não foi projetado para ser sua própria bússola.


A mensagem de Cristo é um choque de realidade contra a nossa autonomia filosófica e cosmovisão. Ele nos mostra que o desejo de sermos os arquitetos exclusivos do nosso destino é, na verdade, um fardo pesado demais para os nossos ombros limitados. Ao tentarmos moldar o mundo para que ele sirva às nossas paixões e necessidades, sem ter Deus como parâmetro, acabamos por prejudicar a nós mesmos, fragmentando nossa essência em buscas que não podem jamais nos preencher. A verdadeira vida, aquela que Jesus oferece como alternativa, nasce precisamente no momento em que decidimos renunciar ao controle absoluto. Não se trata de anular a nossa personalidade, mas de render o nosso projeto de vida ao projeto maior do Criador, onde o nosso potencial não é mais limitado pela nossa própria vontade, mas expandido pelo Seu propósito eterno.


Ganhar o mundo e negligenciar a própria alma é prejuízo. De nada servem as conquistas pessoais se, no processo o indivíduo torna-se acessório daquilo que deveria administrar. Afinal, as conquistas terrenas são inerentemente efêmeras; são castelos de areia desprovidos de segurança real, que prometem estabilidade, mas desmoronam diante da eternidade, deixando o homem de mãos vazias ao trocar o que é imutável por aquilo que o tempo inevitavelmente consome, cedo ou tarde.