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| Crrédito Imagem: CC0 |
Na possessão, o sofrimento do indivíduo portador é o foco, mas a opressão é estratégica, o objetivo principal é utilizar a pessoa como um instrumento para atingir, manipular ou paralisar terceiros.
Essa estratégia fica clara em episódios onde o mal não se manifesta com gritos ou agitações, mas através de palavras, ataques sutis, conselhos distorcidos e monitoramento constante.
O indivíduo em estado de possessão tende a ser menos estratégico em termos coletivos, pois o foco está no controle e no consumo do seu hospedeiro imediato. Já aquele que opera sob um espírito de opressão apresenta-se de forma adaptada; sua atuação é calculada.
Ele consegue manter a aparência de piedade para camuflar suas intenções, não sente-se desconfortável no ambiente religioso porque pode utilizá-lo como um território de caça.
Quando encontram-se dentro da igreja, causam perseguições veladas, pois conseguem cantar louvores e ouvir sermões enquanto planejam como monitorar e pertubar a vida alheia.
Os pensamentos e intenções podem ser usados estrategicamente pelo adversário para criar obstáculos emocionais e espirituais.
A Opressão Estratégica e a Assimilação de Judas
O caso de Judas Iscariotes é o exemplo máximo da transição entre a influência e a entrega total. Diferente dos possessos que geralmente manifestavam agonia e incompatibilidade com a presença de Cristo, Judas manteve por anos brechas morais, como a ganância, que alimentaram uma opressão estratégica e culminaram assimilação total.
Ele atuou como um "agente infiltrado", usando sua função de confiança para controlar, criticar e semear discórdia sob uma máscara de justiça e piedade.
Nos Evangelhos, quando o texto afirma a respeito de Judas, que "Satanás entrou nele" (João 13:27), isso deve ser entendido como o estágio final de uma assimilação moral.
No grego original, o termo para "entrou" (eiserchomai) indica uma mudança de senhorio, uma ocupação de território. Não foi uma invasão violenta, mas a ocupação definitiva de um espaço que Judas já havia cedido através da "firme vontade de trair" posta em seu coração (João 13:2).
Neste ponto, não havia mais resistência; a vontade de Judas e a intenção satânica haviam se tornado uma só.
Metanoia: O Único Caminho Contra a Opressão Estratégica
Diferente da possessão clássica, na qual Jesus expulsava o espírito do indivíduo "sequestrado" pelo mal, a libertação do oprimido estratégico exige, obrigatoriamente, a vontade e o arrependimento. Elementos que só podem ser despertados pela ação profunda da Graça divina.
É fundamental entender que, enquanto o possesso reconhece seu tormento, o "agente funcional" sente-se gratificado pelo controle que exerce sobre a vida dos outros.
Como essa influência não força a porta, mas utiliza as chaves entregues pela própria pessoa, a libertação não ocorre por uma expulsão externa, mas por uma metanoia: o confronto direto com a verdade que quebra o pacto de concordância com a opressão.
