O desejo de sucesso se fez mais intenso e mais universal, o desejo de um sucesso que já não pode ser parcial ou menor, não pode ser a mera identificação de uma qualidade entre tantas. Deseja-se tudo, ser bom, ser grande, ser vastamente conhecido pelos demais, e ganhar muito dinheiro a partir disso. O que resulta da imensidade dessa ambição é uma forte tendência à insatisfação, e uma ansiedade bem difundida
"Disso tudo eu extraí uma concepção bastante obstinada e duradoura: que não existe nada a se temer tanto quanto a egolatria". Isso quem disse foi Virginia Woolf, falando sobre outro assunto, mas a declaração ainda pode ser valiosa para os nossos fins. Uma cultura ególatra, feita de um amor excessivo de cada um por si mesmo e por sua imagem, não nos conduz a realizações inimagináveis, e sim a uma subjetividade em crise,atravessada por inseguranças e vaidades emprestadas.
A ambição em suas últimas consequências não gera a superação dos limites alguma vez concebidos para a humanidade, e sim o contrário, a percepção da mesquinhez de que somos feitos, daquilo que nos limita e nos abate.A vaidade de um artista, em particular, pode alcançar níveis incomensuráveis.
Woolf em seu diário dá indícios do alívio que sentiu ao saber da morte de Katherine Mansfield, uma amiga e uma escritora que ela admirava, por se ver então livre de uma rival — sentimento logo sucedido pela tristeza mais razoável e por uma dor muito mais real.
Esforço-me em tentar calar os clamores da ambição, as estridências da vaidade, para existir apenas comigo e com os que me cercam, em estado de simplicidade.
Reflexão Cristã:
O texto secular de Julián Fuks nos confronta com a face mais sombria da natureza humana: a ambição que inveja e a vaidade que adoece. Essa leitura nos convida a um exame de consciência sobre nossas próprias metas.
Alcançar objetivos são movimentos bem-vindos e fazem parte da nossa mordomia terrena. No entanto, o sinal de alerta acende quando o esforço para "chegar lá" começa a sufocar os frutos do Espírito. Se a busca pelo sucesso mata em nós a paz, a bondade e a mansidão, então o preço da conquista tornou-se alto demais.
Que o nosso desejo de realização nunca supere o nosso desejo de Cristo. Que saibamos trilhar o caminho do crescimento sem permitir que a "egolatria" mencionada por Woolf tome o lugar da adoração. Afinal, de nada vale ganhar o mundo inteiro se, no processo, perdermos a simplicidade e a alegria que só o Espírito Santo pode gerar em nós.
