A Paralisia do Medo e a Perda da Unção (Lucas 19:11-27)

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A Parábola das Dez Minas, registrada no Evangelho de Lucas, apresenta a história de um homem nobre que parte para uma terra distante a fim de tomar posse de um reino, confiando a cada um de seus dez servos uma mina para que negociem até o seu retorno. Esta narrativa bíblica serve como uma poderosa metáfora sobre a administração da vida cristã, simbolizando o período entre a ascensão de Jesus e sua segunda vinda. O texto situa o leitor diante da responsabilidade individual de gerir os bens espirituais e as oportunidades concedidas pelo Senhor, enfatizando que o Reino de Deus não é um estado de espera passiva.


Ao retornar, o senhor convoca os servos para prestarem contas, observando que alcançaram diferentes níveis de produtividade com o mesmo recurso inicial. Enquanto uns multiplicaram generosamente a mina recebida, demonstrando fidelidade e visão, outro apresenta-se estagnado, e o senhor depara-se com a paralisia daquele que escolheu a omissão.


Esse servo substituiu o relacionamento de amor pelo cálculo frio do merecimento. Ao descrever o senhor como um homem severo que colhe onde não semeou, ele demonstra uma visão distorcida, na qual o lucro pertenceria apenas ao senhor e o prejuízo seria um fardo carregado solitariamente pelo subordinado. Essa percepção transformou o dom de Deus em uma dívida opressora, fazendo com que o servo operasse sob a lógica de que nada fazer seria a estratégia mais segura para nada dever. Ele ignorou que a confiança depositada em suas mãos já era um ato de favor imerecido, preferindo tratar a honra do chamado como um peso insuportável.


A falta de afeição pelo senhor resultou em um desinteresse pelo crescimento do seu reino, limitando a existência do servo a uma tentativa de evitar a punição; afinal, o agir no Reino não provém do medo, mas do amor. Ao devolver a mina exatamente como a recebeu, ele buscou uma justificação própria baseada em um mérito negativo.


Essa tentativa de estabelecer uma relação de justiça própria ignora que o Reino de Deus repudia a neutralidade e exige frutos que glorifiquem ao Rei. A transferência de recursos do negligente para o produtivo ilustra que as oportunidades não permanecem estáticas e que a verdadeira fidelidade exige uma resposta prática, corajosa e constante, rejeitando a segurança enganosa da estagnação para que a nossa vida seja um investimento real no propósito para o qual fomos chamados.