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| Crédito Imagem: Free user |
Ainda que a expressão "narcisismo" venha da mitologia grega e o diagnóstico clínico seja moderno, os padrões de comportamento que o definem são descritos na Bíblia: o orgulho, a soberba e a autolatria.
Lúcifer pode ser visto como o narcisista original no contexto bíblico, pois sua queda é descrita justamente como o desejo de colocar seu trono acima do de Deus, na busca pelo palco supremo.
Caim também exemplifica isso; diante da frustração de não ser o centro das atenções após a rejeição de sua oferta, ele não sente remorso, mas uma ira destrutiva contra o irmão, movido pela inveja narcisista.
As Escrituras Sagradas estão repletas de figuras que exibem traços clássicos de narcisismo, como a ganância, a falta de empatia, o senso de grandiosidade e a necessidade obsessiva de controle.
Outro exemplo marcante é Saul, que ilustra o narcisismo vulnerável ao viver obcecado pela aprovação do povo e reagir com fúria quando se sentia ameaçado pelo brilho de Davi, sempre culpando terceiros por seus próprios fracassos.
Já Herodes representa o narcisista maligno, aquele que reage com violência extrema para preservar sua imagem de poder absoluto quando se sente confrontado ou ignorado.
O tempo passou, a modernidade chegou e, nos dias de hoje, nota-se algo que sociólogos chamam da epidemia do narcisismo. Observamos a multiplicação deles porque vivemos na era do espetáculo e da informação.
Se antes o narcisista precisava de um reino físico ou estruturas sociais mais evidentes, hoje ele só precisa de um celular. Biblicamente, há uma profecia sobre esse fenômeno em 2 Timóteo 3, que descreve os dias perto do fim.
A lista de comportamentos ali descrita parece um manual de diagnóstico moderno, afirmando a multiplicação de homens que seriam egoístas, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis e caluniadores (...)
Narcisista engolindo narcisista
Nesse cenário de vaidade, surge a dinâmica do narcisista engolindo outro narcisista. O tipo mais estratégico e astuto compreende que o controle real não reside em estar sob os holofotes, mas em dominar os bastidores.
Ele sabe dar palco para o narcisista menos esperto, alimentando o ego deste para que ele se exponha e se torne previsível e útil.
Ao ceder o brilho passageiro ao outro, o narcisista calculista o transforma em uma ferramenta ou escudo, monitorando suas fraquezas e suas vaidades enquanto o mantém sob uma falsa sensação de importância.
É um jogo de poder onde o palco é usado como uma armadilha, revelando que a soberba de um serve apenas como alimento para a estratégia de controle do outro.
Do Palco Farisaico à Perseguição do Reino
Essa dinâmica também é visível no ambiente bíblico através dos fariseus.
Eles tentavam subjugar uns aos outros na hierarquia religiosa através de disputas de aparência, mas se uniram apenas para atacar aquele que não precisava de palco e que expunha a vacuidade de suas almas.
Da mesma forma que os narcisistas daquela época suspenderam suas rivalidades internas para conspirar contra o Messias, os narcisistas de nossa era frequentemente se unem em uma aliança sombria para perseguir o Reino.
No entanto, ao invés de temor, o coração do fiel deve se encher de esperança e vigilância; cada afronta do mundo é apenas o eco de que o tempo da nossa redenção se aproxima e que o Senhor da Glória em breve estabelecerá o Seu Reino inabalável.
"Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste mundo, contra as hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais" Efesios 6:12
