Palavras Macias, Caminhos de Ruína: O Alerta Bíblico contra a Bajulação e Lisonja

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" O homem que lisonjeia o seu próximo arma-lhe uma rede aos passos" (Provérbios 29:5)


As Escrituras Sagradas apresentam a bajulação, ou lisonja, não como simples gestos de cortesia, mas como estratégia de manipulação, constantemente descrita como redes armadas para os pés de quem a recebe. Nesse cenário, o elogio vira um artifício para desarmar a prudência, funcionando como uma camuflagem para interesses ocultos ou intenções puramente estratégicas.


Esse falso elogio define-se pela intenção e pelas nuances. O segredo não é rejeitar o reconhecimento, mas cultivar o discernimento e assim perceber quando a palavra é um presente ou uma ferramenta de controle e manipulação.


"A língua falsa odeia aqueles a quem fere, e a boca lisonjeira opera a ruína." (Provérbios 26:28)


Um exemplo emblemático do uso estratégico da aprovação está na trajetória de Absalão, que a utilizava para desestabilizar o reinado de seu pai, Davi. Ele validava as causas de cada cidadão com palavras de aprovação e aparente empatia, buscando conquistar a lealdade do povo através da validação emocional. Nesse caso, o elogio serviu como uma ferramenta de erosão da autoridade legítima, mascarando uma rebelião sob o manto da solicitude.


Essa mesma tática de usar o reconhecimento para baixar a guarda é vista quando os fariseus abordaram Jesus com palavras lisonjeiras, exaltando sua imparcialidade antes de lançarem uma pergunta capciosa. O objetivo era criar um ambiente de falsa segurança. Jesus, contudo, identificou a intenção por trás das palavras, demonstrando que o discernimento espiritual é o antídoto contra a sedução da fala excessivamente macia.


"O que repreende ao homem achará depois mais favor do que aquele que lisonjeia com a língua." (Provérbios 28:23)


Outro cenário marcante é o episódio do rei Herodes em Atos dos Apóstolos, onde a multidão o aclamava com honras divinas. Aquela exaltação não era fruto de uma admiração real, mas sim uma lisonja interessada de um grupo que buscava benefícios políticos. Da mesma forma, a narrativa de José e a mulher de Potifar ilustra como a valorização pode ser rapidamente substituída pela hostilidade quando os objetivos de quem lisonjeia não são alcançados.


As Escrituras alertam que a repreensão franca de um amigo sincero é mais valiosa do que elogios de quem busca vantagens. O uso manipulador do reconhecimento atua nos pontos cegos da autoconfiança, alimentando o orgulho para que a vigilância seja relaxada. Por último, o ensinamento bíblico é que o equilíbrio deve prevalecer: devemos ser gratos pelo reconhecimento que nos constrói, mas vigilantes diante da voz que apenas massageia o ego para silenciar a nossa consciência.


"Porque os tais não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre; e com suaves palavras e lisonjas enganam os corações dos simples." Romanos 16:18