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| Crédito Imagem: Creative Commons |
A passagem de Marcos surge após um momento de tensão entre os discípulos nos versículos anteriores, depois que Tiago e João solicitaram posições de honra e poder no Reino de Deus. Jesus, ao perceber que o coração deles ainda estava preso à lógica da supremacia, os chama para uma conversa franca sobre a natureza da verdadeira liderança.
Ele contrasta a tirania dos governantes gentios com a ética do Reino, estabelecendo que, na comunidade dos Seus seguidores, a grandeza não é medida pela quantidade de pessoas que se domina.
Na frase "não será assim entre vós", Ele lança um verdadeiro balde de água fria em qualquer pretensão de prestígio. Trata-se de uma desautorização explícita e disruptiva do padrão do mundo. O modelo de poder que Jesus acabara de descrever, no qual os governantes das nações usam sua posição para dominar os outros, está terminantemente proibido entre Seus seguidores.
Ao afirmar que quem quiser tornar-se importante deverá ser servo, Jesus subverte novamente a lógica humana: Ele transforma a busca por importância ou grandeza no caminho obrigatório do serviço. Jesus condena a mentalidade da hierarquia baseada em domínio e privilégio.
Em seu lugar, Ele estabelece uma servocracia, um sistema onde a verdadeira autoridade não é imposta por cargos, mas conquistada pela profundidade da humildade e pela utilidade no serviço ao outro. No Reino de Deus, o topo da pirâmide é o lugar de quem carrega mais peso, não de quem recebe mais honras.
Dessa forma, Cristo ensina o conceito de poder horizontal em vez de vertical. No mundo, o poder é vertical, de cima para baixo. Na igreja, o poder deve ser exercido de forma horizontal, usado para suportar, edificar e servir.
O líder cristão é aquele que se coloca sob a carga de todos os outros. Aquele que se esforça para ser o primeiro deve se tornar o escravo de todos, como Ele afirma no versículo 44 e exemplifica no versículo 45.
Portanto, o texto desautoriza a hierarquia de poder vista no mundo, mas autoriza uma hierarquia de serviço e responsabilidade, modelada pelo próprio sacrifício de Jesus, que não veio para ser servido, mas para servir.
