Jesus Rompe com o Status Quo da Hierarquia no Reino – Marcos (10:43-45)

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A passagem de Marcos surge após um momento de tensão entre os discípulos nos versículos anteriores, logo após Tiago e João solicitarem posições de honra e poder no Reino de Deus. Percebendo que o coração deles ainda estava preso à lógica da supremacia, Jesus os chama para uma conversa franca sobre a natureza da verdadeira liderança. Ele contrasta a tirania dos governantes gentios com a ética do Reino, estabelecendo que, na comunidade dos Seus seguidores, a grandeza não é medida pela quantidade de pessoas que se domina.


Na frase "não será assim entre vós", Ele lança um verdadeiro balde de água fria em qualquer pretensão de prestígio. Trata-se de uma desautorização explícita e disruptiva do padrão do mundo. O modelo de poder que Jesus acabara de descrever — no qual os governantes das nações usam sua posição para dominar os outros — está terminantemente proibido entre Seus seguidores


Ao afirmar que quem quiser tornar-se importante deverá ser servo, Jesus subverte novamente a lógica humana: Ele transforma a busca por importância ou grandeza no caminho obrigatório do serviço. Jesus condena a mentalidade da hierarquia baseada em domínio e privilégio. Em seu lugar, Ele estabelece uma servocracia, um sistema onde a verdadeira autoridade não é imposta por cargos, mas conquistada pela profundidade da humildade e pela utilidade no serviço ao outro. No Reino de Deus, o topo da pirâmide é o lugar de quem carrega mais peso, não de quem recebe mais honras.


Dessa forma, Cristo ensina o conceito de poder horizontal em vez de vertical. No mundo, o poder é vertical, de cima para baixo. Na igreja, o poder deve ser exercido de forma horizontal, usado para suportar, edificar e servir. O líder cristão é aquele que se coloca sob a carga de todos os outros. Aquele que se esforça para ser o primeiro deve se tornar o escravo de todos, como Ele afirma no versículo 44 e exemplifica no versículo 45.


Portanto, o texto desautoriza a hierarquia de poder vista no mundo, mas autoriza uma hierarquia de serviço e responsabilidade, modelada pelo próprio sacrifício de Jesus, que não veio para ser servido, mas para servir.