O Enigma da Árvore Silenciosa e os Dois Milênios sem Israel (Lucas 21:24)

Nova York, em 1947 - Crédito Imagem: ONU

A imagem de uma árvore que perde o seu viço até parecer completamente morta é uma das metáforas poderosas da narrativa bíblica. Historicamente, essa imagem tornou-se uma realidade quando, no ano 70 d.C., as legiões romanas cercaram Jerusalém e destruíram o Segundo Templo.

Esse evento deu início a um processo de dispersão e repressão que se intensificou nas décadas seguintes, cumprindo o que fora registrado no evangelho de Lucas: 

"Cairão a fio de espada e serão levados cativos para todas as nações; e Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos destes se cumpram." (Lucas 21:24)

Essa trajetória de exílio culminou na revolta de Bar Kokhba (132–135 d.C.). Após a derrota, o imperador Adriano renomeou a província como Síria Palestina; muitos judeus foram levados como escravos ou migraram, espalhando-se por diversas áreas do império romano e além. Esse ato marcou o desmantelamento definitivo da estrutura nacional judaica em sua terra ancestral, fazendo com que Israel desaparecesse do mapa como unidade política e territorial organizada por quase dois milênios.

A parábola da figueira, registrada nos evangelhos sinóticos de Mateus 24:32-34, Marcos 13:28-30 e Lucas 21:29-32, constitui um dos pilares mais intrigantes do discurso profético de Jesus. Ao orientar os seus discípulos a observarem o momento em que os ramos da árvore se tornam tenros e as folhas começam a brotar como um sinal inequívoco da proximidade do verão, Jesus estabeleceu um cronômetro histórico baseado em elementos da natureza. 

Durante séculos, essa passagem permaneceu enigmática. A dificuldade estava no fato de que a figueira representava a nação de Israel, mas estava ausente como entidade política por eras.

Sem o "brotar" de Israel, a parábola parecia um relógio cujos ponteiros estavam parados, desafiando a compreensão de como aquela geração mencionada no texto poderia testemunhar o desfecho de todas as coisas.


O Enigma da Árvore Ausente

Nesse longo intervalo de “vácuo escatológico”, a maioria dos teólogos e intérpretes das Escrituras encontrava-se num cenário de incerteza. 

Sem a existência de Israel no panorama mundial, muitos reconheciam que a parábola da figueira permanecia envolta em mistério. Eles observavam sinais alguns dispersos ao longo da história, mas faltava o elemento central que permitiria compreender plenamente o discurso profético de Jesus: a própria figueira.

Alguns estudiosos chegaram a considerar que a restauração do povo judeu poderia ter papel futuro nas profecias, mas essa não era uma visão dominante nem clara. Para a maior parte dos intérpretes, a ausência de Israel tornava impossível encaixar certos textos de maneira definitiva, reforçando a ideia presente no livro de Daniel de que muitas coisas permaneceriam seladas até o tempo apropriado.

Assim, durante séculos, a parábola da figueira permaneceu como um enigma parcialmente oculto, o cenário histórico não oferecia as condições necessárias para que sua plena compreensão se revelasse.


Quando os Sinais se Encontram

A perspectiva atual, contudo, difere radicalmente daquela enfrentada pelas pessoas que estudaram o texto sem ver a figueira brotar ramos e folhas, em 1947/1948. Vivemos hoje numa fase única de alinhamento, em que o sinal da figueira já não é apenas uma expectativa teórica, mas um fato profético em andamento.

O ressurgimento de Israel no século XX tirou a parábola da figueira do campo das suposições e a colocou no centro da realidade política global. Pela primeira vez na era cristã, o sinal da figueira se manifesta de forma concreta, sincronizando-se com a intensificação de todos os outros indicadores.

O que antes era um vácuo de interpretação tornou-se um cenário de evidências claras, no qual o ciclo profético desenhado por Jesus em Jerusalém encontrou, finalmente, o seu ponto de conversão.