Remir o Tempo: Pegar ou Largar (João 6:41-46)

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As narrativas do Evangelho de João revelam grandes milagres de Jesus, apresentando-os como sinais que serviam como um selo de autoridade divina. Uma prova concreta que deveria encerrar qualquer discussão.

No entanto, o que vemos é uma parcela barulhenta que, mesmo diante do extraordinário, escolhia a murmuração como refúgio. Jesus percebia que, quando alguém decide não crer apesar de ver o sinal, qualquer justificativa se torna inútil. 

Ele não perdia tempo tentando convencer quem usava a retórica apenas como escudo para não se render à verdade.


O Exemplo de Jesus em João 6

No capítulo 6 de João, essa dinâmica fica evidente. Após saciar uma multidão com um milagre biológico, Jesus passa a falar de uma realidade espiritual que confrontava o ego dos ouvintes. 

Diante do burburinho daqueles que questionavam sua origem e sua fala, Jesus não se deu ao trabalho de explicar sua genealogia ou de suavizar suas palavras para parecer mais palatável. 

Ele simplesmente confrontou a murmuração falando para não murmurarem e continuou o discurso com uma autoridade que não pedia licença. Para Jesus, a verdade estava posta: ou se aceitava a autoridade do que estava sendo operado por Deus, ou se ficava pelo caminho

Ele não se colocava no papel de réu que precisava de uma boa defesa, mas de um Mestre cujas obras já haviam dado o veredito.


Evitando Discussões Estéreis

Essa mesma postura de cortar discussões estéreis aparece nas orientações do apóstolo Paulo. Ele foi enfático ao dizer que devemos evitar questões que não levam a lugar nenhum, classificando-as como discussões intermináveis e vãs. 

Paulo entendeu o padrão do Mestre: o Evangelho não é um debate retórico para satisfazer curiosos ou céticos profissionais. Há um limite onde a explicação deixa de ser ensino e passa a ser desperdício de tempo. 

Quando o interlocutor não busca o conhecimento, mas apenas a manutenção do seu próprio ruído, a continuidade da conversa torna-se uma armadilha que rouba a energia de quem tem algo real a realizar.

Vivemos cercados por pessoas que, mesmo diante de fatos e sinais evidentes, preferem a manutenção da murmuração.

Ter o discernimento de Jesus significa perceber quando uma conversa é inócua, fruto do cinismo ou da má vontade. 

Nosso tempo é precioso e deve ser investido em quem genuinamente deseja aprender, evitando discussões que servem apenas para nos desgastar.