Por que a Revelação não Altera a Rota? (Marcos 8:17)

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A Bíblia ensina que a incredulidade não é uma falha de inteligência, mas uma condição do coração. Em certos momentos, Jesus identificou essa "dureza de coração" até mesmo em seus discípulos.

No capítulo 8 de Marcos, Jesus pergunta se, "tendo olhos, eles não viam e, tendo ouvidos, não ouviam". 

O motivo da incredulidade dos discípulos era o escândalo da cruz. A mente humana tem uma dificuldade inerente de aceitar aquilo que fere suas expectativas de vitória.

Lucas 18:34 diz claramente que, após Jesus lhes contar tudo o que sofreria, eles nada entenderam, pois esta palavra lhes era oculta.

Existe uma cegueira espiritual temporária que ocorre quando a revelação de Deus esmaga a lógica humana. 

Os discípulos esperavam um Rei conquistador e, quando Jesus falava em martírio, o cérebro deles simplesmente deletava a informação por dissonância cognitiva. Eles não respondiam logicamente porque a lógica deles era terrena, enquanto a de Jesus era eterna.

Essa resistência atinge um ponto trágico no solo infértil de Judas. Diferente dos outros, cuja cegueira era fruto da confusão, a de Judas manifestou-se como uma rejeição prática; sua intenção estava tão cauterizada pela corrupção progressiva que a palavra de Jesus tornou-se apenas informação, e não correção. Ele agiu como o ímpio antropocêntrico, priorizando seus próprios métodos em oposição à palavra do Mestre.


A Revelação como Sentença ou Testemunho


Jesus escancarava as intenções mesmo sabendo que muitos não mudariam de rota. A Bíblia explica que Ele revelava para que, depois de acontecer, os seus tivessem um fundamento para crer, conforme João 14:29. 

A revelação prévia serve para tirar a desculpa do homem e para provar que Deus está no controle absoluto da história. 

No caso de Judas, a revelação serviu como um último apelo à consciência e, simultaneamente, como a prova de que Jesus não era uma vítima indefesa, mas o Senhor que conhecia cada passo da traição.

Essa distinção revela o abismo entre a paralisia lógica e a rebelião lógica. Nos discípulos, o choque da realidade gerou o medo, uma incapacidade de processar o plano divino. 

Em Judas, a fragmentação da percepção foi alimentada pela ganância, criando uma audácia cega, aproveitada por Satanás (João 13:27). 

Enquanto os primeiros recuaram por desorientação, Judas avançou por uma insurreição da vontade, na qual os seus desejos pessoais o impediram de recuar, mesmo diante das revelações de Cristo.