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| Crédito Imagem: CC0 |
A Bíblia ensina que a incredulidade não é uma falha de inteligência, mas uma condição do coração. Em certos momentos, Jesus identificou essa "dureza de coração" até mesmo em seus discípulos.
O motivo da incredulidade dos discípulos era o escândalo da cruz. A mente humana tem uma dificuldade inerente de aceitar aquilo que fere suas expectativas de vitória.
Lucas 18:34 diz claramente que, após Jesus lhes contar tudo o que sofreria, eles nada entenderam, pois esta palavra lhes era oculta.
Existe uma cegueira espiritual temporária que ocorre quando a revelação de Deus esmaga a lógica humana.
Os discípulos esperavam um Rei conquistador e, quando Jesus falava em martírio, o cérebro deles simplesmente deletava a informação por dissonância cognitiva. Eles não respondiam logicamente porque a lógica deles era terrena, enquanto a de Jesus era eterna.
Essa resistência atinge um ponto trágico no solo infértil de Judas. Diferente dos outros, cuja cegueira era fruto da confusão, a de Judas manifestou-se como uma rejeição prática; sua intenção estava tão cauterizada pela corrupção progressiva que a palavra de Jesus tornou-se apenas informação, e não correção. Ele agiu como o ímpio antropocêntrico, priorizando seus próprios métodos em oposição à palavra do Mestre.
A Revelação como Sentença ou Testemunho
Jesus escancarava as intenções mesmo sabendo que muitos não mudariam de rota. A Bíblia explica que Ele revelava para que, depois de acontecer, os seus tivessem um fundamento para crer, conforme João 14:29.
A revelação prévia serve para tirar a desculpa do homem e para provar que Deus está no controle absoluto da história.
No caso de Judas, a revelação serviu como um último apelo à consciência e, simultaneamente, como a prova de que Jesus não era uma vítima indefesa, mas o Senhor que conhecia cada passo da traição.
Essa distinção revela o abismo entre a paralisia lógica e a rebelião lógica. Nos discípulos, o choque da realidade gerou o medo, uma incapacidade de processar o plano divino.
Em Judas, a fragmentação da percepção foi alimentada pela ganância, criando uma audácia cega, aproveitada por Satanás (João 13:27).
Enquanto os primeiros recuaram por desorientação, Judas avançou por uma insurreição da vontade, na qual os seus desejos pessoais o impediram de recuar, mesmo diante das revelações de Cristo.
