A Irrupção do Céu e o Estranhamento de um Reino Incomensurável (1 Coríntios 2:9)

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Existe uma dimensão da fé onde a realidade das promessas divinas e a imensidão da eternidade tornam-se tão avassaladoras que a alma mergulha em um estado de choque profundo, como se a vida despertasse para um sonho lúcido.

A passagem bíblica sobre o retorno do povo de Israel do Cativeiro da Babilônia, no Salmo 126, descreve um povo que 'estava como quem sonha', tamanha a desproporção entre a dor vivida e a glória daquela restauração.

Essa perplexidade ocorre porque a mente humana entra em pane ao tentar processar intervenções que rompem a lógica.

Acorrentado entre soldados e cercado por portões de ferro, o apóstolo Pedro, diante do anjo, experimentou o colapso da percepção: ao ser libertado de forma supramundana, caminhava pelo impossível, mas sua mente, incapaz de processar tamanha irrupção do céu, tentava reduzir o milagre a uma mera visão.

É um estado de alegria e assombro tão absolutos que a realidade comum se torna insuficiente para contê-la. 

Mas, por mais glorioso que tenha sido esse êxtase histórico, ele ainda é pequeno quando confrontado com as promessas definitivas da eternidade.

A experiência de ser confrontado pelo infinito foi definida por Rudolf Otto como o Mistério Tremendo e Fascinante. Para ele, o contato com o divino gera um assombro que nos faz tremer diante da majestade de Deus, enquanto simultaneamente nos atrai com uma doçura irresistível. 

É nessa tensão que a paz e a perplexidade se fundem. C.S. Lewis complementava essa ideia ao descrever uma alegria que funciona como uma saudade de um lugar onde ainda não estivemos. 


A Perplexidade e a Paz Caminham Juntas


Para Lewis, essa confusão mental ocorre porque estamos tentando colocar o oceano da eternidade dentro do pequeno copo d’água da nossa compreensão atual. 

A paz vem de saber que o oceano existe, enquanto a perplexidade nasce de perceber que nossa mente nunca será capaz de esgotá-lo.

A adoração revela-se também como uma antecipação da glória, uma amostra das águas eternas em que o espírito já mergulha enquanto o corpo ainda caminha na terra. 

Como o apóstolo Paulo escreveu, nem olhos viram nem ouvidos ouviram o que está preparado para os que amam a Deus, o que significa que o espanto e a surpresa são componentes fundamentais da promessa. 

Se a eternidade não causasse esse estranhamento maravilhoso e essa sensação de que tudo é bom demais para ser verdade, ela seria do tamanho da imaginação humana e não do tamanho do Criador.