Cuidado ao Julgar os Outros

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O Equilíbrio entre o Discernimento e o Julgamento


Talvez um dos temas mais mal compreendidos por quem professa a fé cristã seja o ato de julgar. Frequentemente, confunde-se a ordem bíblica de "não julgar" com uma passividade total diante do erro, ou, no outro extremo, usa-se a fé para condenar o próximo com hipocrisia.


O Perigo do Julgamento Preciptado


É comum que, em nossa limitação humana, julguemos mal as situações. Uma timidez pode ser lida como indiferença; um deslize, como algo deliberado; ou uma doença, como desleixo. Como afirma 1 Samuel 16:7, o homem vê o que está diante dos olhos, mas o Senhor olha o coração. Quando tentamos adivinhar intenções e pensamentos, gastamos energia em um campo que pertence apenas a Deus.


Discernimento vs. Condenação


Para evitar equívocos bíblicos, precisamos distinguir três conceitos:

  1. O Julgamento de Condenação: Este pertence exclusivamente a Deus. Somente o Justo Juiz, que é Onisciente e sonda mentes e corações (Salmos 7:9), tem autoridade para sentenciar o destino eterno de alguém ou definir o valor de sua alma.

  2. O Julgamento Hipócrita: É o que Jesus condena em Mateus 7:1-5. É o ato de apontar o cisco no olho do irmão enquanto ignoramos a trave no nosso. É um julgamento sem misericórdia e sem autoexame.

  3. O Discernimento Necessário: A Bíblia não nos chama à cegueira espiritual. Em João 7:24, Jesus nos ordena: "Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça". Somos chamados a avaliar frutos, discernir doutrinas e, se necessário, confrontar o pecado de um irmão com o objetivo de restauração, e não de destruição (Gálatas 6:1).


O erro não está em identificar o que é certo ou errado, mas em assumir uma postura de superioridade ou tentar ler o que está oculto. O cristão deve exercer o discernimento para proteger a verdade, mas abandonar o julgamento condenatório, reconhecendo que todos dependemos da mesma graça. No fim, o nosso papel é o da correção amorosa; o papel de Juiz Supremo, guardamos para Aquele que tudo vê.


Há na Bíblia muitos versículos e passagens sobre esse tema para o nosso aprendizado, alguns deles:


"Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça."

João 7:24


"Não julgueis, para que não sejais julgados.
Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós."

Mateus 7:1,2


O julgamento alheio também pode ser cercado de hipocrisia:

"E por que reparas tu no cisco que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho?

Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu?


Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o cisco do olho do teu irmão."


Mateus 7:3-5



Portanto, você não tem desculpa, ó homem, cada um de vocês que julga. 

Pois ao julgar um outro você se condena, porque você, o juiz, pratica as mesmas coisas. 

Você acha, ó homem - você que julga aqueles que praticam tais coisas e ainda assim as faz você mesmo - que você escapará do julgamento de Deus? 

Romanos 2:1-3