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| Ruínas de Betesda - Crédito Imagem: Franco56 |
No Tanque de Betesda, um homem que sofria de paralisia há trinta e oito anos vivia a angústia de depender de um evento específico para sua cura.
Embora não se saiba de qual região ele era ou há quanto tempo frequentava aquele lugar, o relato mostra que ele buscava a cura por meio da crença de que a movimentação ocasional das águas trazia poder restaurador.Essa cena no livro de João revela uma dinâmica de milagres peculiar. A lógica ali operante era fruto de uma superstição local que impunha uma espécie de burocracia do milagre.
Para aquele homem, os trinta e oito anos de paralisia representavam uma sentença de exclusão perpetuada por essa expectativa ilusória.Ele vivia em um ambiente onde a cura era percebida como um evento intermitente e competitivo, criando um paradoxo absurdo onde apenas os que ainda tinham alguma agilidade física conseguiriam aproveitar o suposto momento certo, enquanto os totalmente prostrados, como ele, eram deixados para trás na poeira dos pórticos.
Sua frustração, expressa na frase sobre não ter ninguém que o ajudasse no momento da agitação da água, resume o isolamento de quem observa a vida passar e as oportunidades serem tomadas por outros mais rápidos ou mais bem assistidos.
Não podemos mensurar quantas tentativas frustradas aquele homem enfrentou para tentar se ajustar a um ritmo que seu corpo simplesmente não podia acompanhar.
Sua luta solitária expunha a face cruel daquele cenário: a de que, sob a lógica da crendice popular, a misericórdia era um recurso escasso. Ali, o favorecimento de um dependia obrigatoriamente da derrota ou da lentidão dos demais.
Jesus: A Palavra que Dispensa o Ritual
Aquela mentalidade reverbera na religiosidade moderna que, em muitos casos, parece retroceder a rituais antigos e à dependência de acessórios ou amuletos como pilares de sustentação da fé.Porém, a presença de Jesus ali ignora a engrenagem de espera e esforço; ao não validar o ritual da água, Ele quebra as limitações da imaginação popular e oferece uma restauração plena através de sua palavra de autoridade.
Assim, Jesus se reafirma como o intercessor direto, ontem e sempre, eliminando toda e qualquer necessidade de burocracia mística para se alcançar a presença divina.
