Bíblia: O papel aceita tudo?

Crédito imagem: cams-not-in-lux

O papel aceita tudo?

O "papel aceita tudo" é uma afirmação muito propagada por céticos, situação em que a bíblia e literaturas de ficção são colocadas do mesmo lado,mas  afinal, a lógica baseada na observação desmente ou suporta esse pensamento?

Primeiro devemos entender que personagem não é o mesmo que testemunha, o contexto em que um documento está inserido diferencia uma simples literatura de ficção de uma narrativa histórica, quer dizer, um gibi do homem aranha não é o mesmo que um documento oficial de algum grupo.



Não há nenhuma reivindicação de historicidade em qualquer obra de ficção, contrapondo-se a isso, veja a declaração do autor do livro de Lucas no início do respectivo livro:



"Tendo, pois, muitos empreendido pôr em ordem a narração dos fatos que entre nós se cumpriram, 



Segundo nos transmitiram os mesmos que os presenciaram desde o princípio, e foram ministros da palavra, 



Pareceu-me também a mim conveniente descrevê-los a ti, ó excelente Teófilo, por sua ordem, havendo-me já informado minuciosamente de tudo desde o princípio; 



Para que conheças a certeza das coisas de que já estás informado. "



Lucas 1:1-4



Há diversas pistas quando uma obra escrita é produzida como uma ficção, geralmente os próprios autores ou editores deixam isso claro nas declarações e considerações contidas nos escritos, isto é, as pessoas sabem desde o início que a obra é de ficção, ou seja, não existe risco de que um livro de fantasia do tipo Harry Potter ou outro qualquer passe a ser encarado como história verídica no futuro. 



Já uma lenda, é a simples transmissão de contos sem origem ou testemunhas, o copista coloca no papel lendas e boatos transmitidos por tradição oral, retransmitindo-as, mas não se preocupa em dar detalhes de comprovação da mesma, diferentemente dos documentos judaicos. Foi dessa forma que ocorreram produções de registros dos deuses antigos gregos, sumérios, egípcios etc.

Por exemplo, um indivíduo escreve uma história já difundida envolvendo Zeus, mas não detalha as provas que a divindade realmente existiu: 
quais humanos constataram a existência de tal divindade e que sinais objetivos foram dados para determinado povo que provariam que a suposta divindade fosse real. Nesse tipo de documento falta justamente os elementos que suportam o compromisso histórico.

Quem está escrevendo sabe que o conteúdo vai passar pelo crivo das pessoas de sua época e que não pode passar por essa barreira se tiver tentando transformar ficção em realidade.




A dificuldade de inventar eventos fantásticos em documentos oficiais. A Bíblia como documento confiável.



É factível a chegada até uma conclusão correta sobre o conteúdo de documentos antigos, não precisamos ter vivido na época, primeiro identifica-se o tipo: obra de ficção, proliferação de lenda ou documentos oficiais (documento de cunho coletivo, onde seus autores reivindicavam compromisso histórico).


Nenhum líder religioso ou governante, por mais poder que tenha, quer se complicar perante os seus seguidores, ninguém quer perder o respeito e atacar a própria imagem inventando eventos que poderiam ser desmascarados facilmente.

Você não verá, por exemplo, um líder religioso, mesmo tido como milagreiro, escrevendo embustes com situações objetivas no site ou documento oficial de sua própria instituição, dizendo que ressuscitou um membro de sua igreja em estado pútrido ou que andou sobre o mar com os membros de sua igreja olhando a cena, embora pessoas sejam curadas, os feitos desses milagreiros vão ficar sempre na esfera subjetiva sem qualquer comprovação que a cura tenha sido causada realmente por eles.


Essa impossibilidade de ficar inventando coisas em grupos, mesmo em seitas, ocorre porque é fácil de ser desmentida pelos próprios membros da organização. 



Pegando Jesus como exemplo, para um farsante ter sucesso ele jamais poderia lançar mão de comprovações objetivas, pois não sendo verdade, a situação seria facilmente desmascarada. 


Conclusão:


Há claras diferenças entre registros oficiais, de lendas e de ficção literária.


Não se pode colocar esses registros no mesmo grupo, cada um deles obedece certos critérios, quem tentar passar uma história com eventos sobrenaturais inventados como algo real certamente será ridicularizado, assim como quem citar testemunhas inexistentes para supostos eventos sobrenaturais em documentos oficiais será censurado por seus próprios contemporâneos.


O farsante é mestre da manipulação, ele não se expõe, utiliza milagres subjetivos, filosofias e promessas sem lastro seguro (sinais de conexão real do mensageiro com um Criador) para conseguir adeptos, portanto, o papel definitivamente não aceita tudo, é o que a observação mostra.

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