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| Monte das Oliveiras - Crédito Imagem: Ana Paula Hirama |
Um meio objetivo para entender se o arrebatamento será pré ou pós-tribulacional é compreender o significado da justificação na Igreja.
É verdade que cristãos individualmente sofreram perseguições ao longo da história, mas isso não altera a questão central: a Igreja como corpo coletivo nunca enfrentou um juízo global e sistemático da magnitude da tribulação escatológica.
Romanos 5:9 e 1Tessalonicenses 5:9 deixam claro que a Igreja não foi destinada à ira de Deus. E a grande tribulação, como o texto bíblico a descreve, é justamente o derramamento dessa ira sobre um mundo que se rendeu à besta (Ap 6:16-17; 14:9-11; 16).
Se a Igreja não foi destinada à ira, a pergunta que se impõe é: como ela será poupada? A Bíblia mostra Deus livrando os seus de duas maneiras: retirando-os antes do juízo, como fez com Enoque e Ló, ou guardando-os no meio dele, como fez com Noé (aqui talvez seja também uma retirada, pois a família ficou isolada e protegida em um local sem ver visualmente a destruição ao redor) e com Israel em Gósen. Para a Igreja, porém, as promessas apontam para o primeiro modelo. Em Apocalipse 3:10, Jesus promete guardá-la "da hora da provação", e em 1Tessalonicenses 1:10 Paulo fala de Jesus como aquele que nos livra da ira vindoura.
Por isso, imaginar a Igreja de pé no meio da destruição descrita nas taças, com a escala de devastação de Apocalipse 16, é muito difícil de conciliar com essas promessas. O arrebatamento antes da tribulação é a leitura que melhor as respeita.
Como observação complementar, a Igreja também não seria necessária como agente missionário naquele período, já que Deus designou instrumentos específicos para isso: os 144.000 selados de Apocalipse 7 e as duas testemunhas de Apocalipse 11.
A remoção da Igreja não implica a ausência total de pessoas que conhecem a mensagem. Muitos que ouviram o Evangelho, mas não o abraçaram de fato, poderão se arrepender sob a pressão dos eventos. Esses novos crentes são salvos da mesma forma, pela fé em Cristo, mas sua conversão ocorre depois que a Igreja já foi removida.
No entanto, o ambiente espiritual e terreno sofre uma mudança drástica e sombria, onde a operação do erro e o juízo direto tornam a perseverança um caminho de martírio e privação terrível.
Diante disso, as promessas de Apocalipse 3:10 e 1Tessalonicenses 1:10, somadas à lógica da justificação plena que Cristo consumou na cruz, indicam que a Igreja será removida antes da tribulação.
Versículos isolados raramente resolvem questões teológicas estruturais, pois precisam ser interpretados dentro de uma coerência teológica maior.
Por isso, a proposta aqui parte da estrutura central do evangelho e pergunta o que ela implica para a Igreja coletiva, tratando os detalhes exegéticos como enriquecimento, não como fundação.