¹ Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo;
² Pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.
³ E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência,
⁴ E a paciência a experiência, e a experiência a esperança.
⁵ E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.
⁶ Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios.
⁷ Porque apenas alguém morrerá por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém ouse morrer.
⁸ Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.
⁹ Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.
Romanos 5:1-9
Aquele que foi justificado, perdoado e lavado pelo sangue de Cristo perdeu definitivamente a condição de ímpio perante o tribunal divino, estando irrevogavelmente revestido da justiça imputada de Cristo. Sendo assim, ele está irrevogavelmente livre da grande ira futura. É incoerente e incompatível com a graça afirmar que a Noiva de Cristo, a Igreja, precisará passar por esse período de juízo global. A ideia de que a Igreja deva sofrer na Grande Tribulação para alcançar algum tipo de purificação final ou mérito de sofrimento é um equívoco profundo.
Pensar dessa forma anularia a perfeição e a suficiência do sacrifício de Jesus, sugerindo uma inaceitável expiação incompleta. A obra da cruz é completa, e não existe sofrimento humano adicional que possa nos purificar mais do que o sangue que já foi derramado no Calvário.
A Distinção Exegética Entre Provação e Juízo
Para compreendermos isso em profundidade, precisamos notar como a Bíblia traça uma linha divisória muito clara entre a tribulação individual e a Grande Tribulação (juízo sobre o mundo). As Escrituras nunca prometeram uma vida isenta de problemas; pelo contrário, Jesus afirmou que no mundo teríamos aflições.
Todo cristão está sujeito a enfrentar provações. Contudo, essa tribulação diária do crente (referida no grego como thlipsis, a aflição da vida terrena) tem uma função específica e pedagógica: atuar, sobretudo, na forja da maturidade espiritual. Ademais, mesmo nos momentos mais agudos dessa perseguição e angústia pessoal, Deus promete e concede a Sua paz inabalável ao cristão.
O cenário é diametralmente oposto na ira futura, o derramamento da orgē divina, que se caracterizará pelo absoluto desespero para os ímpios, evidenciando a total incapacidade destes de resistirem ao juízo iminente.
A Justiça de Deus no Resgate da Igreja
O erro mais comum da visão pós-tribulacional é justamente falhar em fazer essa distinção essencial. Ao colocar tudo na mesma balança e achar que toda e qualquer aflição equivale à Grande Tribulação, acaba-se confundindo a provação do crente com o juízo sobre os ímpios. Mais grave ainda, essa visão acaba por ignorar ou diminuir a abrangência poderosa e misericordiosa do que Jesus conquistou na cruz.
O resgate da Igreja antes desse período de horror não é uma fuga, mas o cumprimento inegociável da promessa de livramento (1 Tessalonicenses 1:10), sendo a justa aplicação da justiça de Deus, que jamais derramará a Sua ira sobre aqueles que já foram justificados pelo sangue do Seu Filho.
