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| Crédito Imagem: CC0 |
O indivíduo reconhece a validade lógica dos fatos, mas aceitar isso implicaria rever crenças profundas, o que exige coragem e mudança.
Para evitar essa crise, ele recorre a mecanismos de defesa. Empurra o assunto para o esquecimento, desvia o foco para outros temas e tenta sufocar a lembrança do que o incomoda.
Esse mesmo padrão aparece nas Escrituras, como em João 12:42-43, no qual muitos líderes judeus creram em Jesus, mas não confessavam por medo de serem expulsos da sinagoga, preferindo a glória dos homens à glória de Deus.
É um retrato claro da dissonância cognitiva: reconhecer a verdade, mas abafá-la para não enfrentar as consequências. No entanto, tais consequências são puramente ilusórias, pois baseiam-se na preservação de um status passageiro ou de uma aceitação social que, diante da eternidade, não possui substância real.
O indivíduo busca meios de conviver com a própria omissão. Para aplacar a consciência, ele racionaliza, tentando rotular a evidência como mera coincidência ou interpretação forçada, num esforço de reduzir a importância do que acabou de reconhecer. No fundo, porém, ele sabe que a lógica apresentada permanece intacta.
O resultado é uma ferida que é escondida sob camadas de silêncio e distração. Esse mecanismo é humano e comum. Todos nós, em algum momento, já fomos confrontados pela clareza de uma realidade que preferíamos não enxergar, simplesmente porque aceitá-la custaria caro demais
Mas no caso de quem se depara com revelações ou situações proféticas, a dissonância cognitiva é ainda mais intensa porque não se trata apenas de ideias isoladas, mas da possibilidade de uma reconfiguração completa da visão de mundo.
